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Caminhos das Águas 2026: agentes culturais participam de trilha formativa presencial em suas regiões e comunidades

publicado: 03/07/2026 08h39, última modificação: 03/07/2026 11h21
Segunda etapa do projeto ajuda a reconhecer ações culturais no dia a dia e a transformar ideias em projetos

Educadores-articuladores que participaram da primeira etapa do projeto de extensão Caminhos das Águas: Fortalecendo Fazeres e Saberes Artísticos e Culturais foram os multiplicadores, em suas regiões, da formação “Educação dos Sentidos para fazer sentido”, preparando agentes culturais locais para reconhecer ações culturais no seu dia a dia e a transformar ideias em projetos. Assim foi a segunda etapa do projeto, que passou pelas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do território brasileiro e deixou a marca do Caminhos das Águas: escutar, aproximar, orientar agentes culturais locais, ampliar oportunidades, fortalecer redes culturais, resgatar e valorizar culturas e tradições. 

A trilha formativa presencial “Educação dos Sentidos para fazer sentido” foi ofertada pelas quatro Instituições de Ensino Superior (IES) selecionadas na primeira etapa - Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa); Universidade Federal do Cariri (UFCA); Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Instituto Federal da Paraíba (IFPB) - e também pela instituição organizadora desta segunda edição do projeto Caminhos das Águas - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Destinada a agentes culturais locais (artesãos, artistas, educadores, arte-educadores, educomunicadores), foi encabeçada por educadores-articuladores, que receberam bolsa e gerenciaram verbas para execução das formações, além de certificado de curso de aperfeiçoamento e de participação no Seminário Caminho das Águas. 

Os encontros presenciais reuniram quase 250 pessoas e foram realizados de 28 de abril a 20 de junho, nos seguintes territórios: Bairro Rio Grande, em Diamantina (MG); Aldeia Morada do Guardião - Tekoa Jekupe Amba, em São Gabriel (RS); Alter do Chão, distrito de Santarém (PA); municípios de Brejo Santo, Crato e Juazeiro do Norte, no Cariri cearense (CE); Quilombo Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande (PB) e Unaí (MG). “Este processo formativo não é apenas sobre arte. É sobre garantir que as comunidades conheçam seus direitos, acessem políticas públicas e se tornem protagonistas da gestão de sua própria cultura”, destacou o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli) do Ministério da Cultura (MinC), Fabiano Piúba, que participou das atividades formativas junto à comunidade do povo Cariri, no sítio Poço Dantas, em Crato (CE). 

A equipe da coordenação educativa do projeto, formada por Mauricio Virgulino, Amanda Cuesta e Fernanda Zardo, esteve presente em todas as formações presenciais. Já a pró-reitora de Extensão e Cultura da UFVJM, Valéria Costa, e a diretora de Cultura e também coordenadora-geral do projeto, Rosi Bechler, acompanharam as ações do Cariri, Diamantina e Unaí. Henrique Alves, servidor da Diretoria de Cultura e participante do projeto, acompanhou a formação em Alter do Chão.

A segunda edição do projeto Caminhos das Águas - Fortalecendo Fazeres e Saberes Artísticos e Culturais é uma ação do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), sob a coordenação da Diretoria de Cultura da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).

Diamantina (MG): território como fonte de memória, identidade e oportunidades culturais

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No espaço Mocrico, no Bairro Rio Grande, a formação foi realizada entre 28 de abril e 9 de maio e reuniu artistas, artesãos, músicos, educadores e coletivos culturais locais em um processo de escuta, criação e fortalecimento de redes culturais. Uma das atividades que mais marcou o grupo foi a visita guiada ao Rio Grande, que permitiu olhar para o território como fonte de memória, identidade e oportunidades culturais. Além da visita, as rodas de conversa com mestres e mestras da cultura popular registaram grande participação, assim como os debates sobre desafios enfrentados pela comunidade, como a desvalorização dos saberes tradicionais, o enfraquecimento dos vínculos comunitários e a necessidade de ampliar as oportunidades de geração de renda. “O mais importante foi criar um espaço seguro de troca entre universidade e comunidade. As ideias já existiam no território; a formação ajudou a transformá-las em projetos concretos e viáveis para acessar políticas públicas de cultura”, destaca Nádia Moreira Campos, educadora-articuladora da formação. Ao longo da formação, os participantes desenvolveram propostas culturais voltadas à memória coletiva, à economia criativa, às tradições comunitárias e à valorização dos saberes locais.

São Gabriel (RS): como transformar ideias em projetos capazes de fortalecer a cultura da aldeia?

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Mestres, mestras, artesãos e jovens Guarani Mbya, da Aldeia Morada do Guardião (Tekoa Jekupe Amba), reuniram-se em torno de uma pergunta simples: como transformar ideias da comunidade em projetos capazes de fortalecer a cultura da aldeia? “Muitas ideias já existiam. O que fizemos foi organizar essas propostas coletivamente e mostrar que elas também podem ocupar espaços de decisão e de acesso às políticas públicas”, observa Erick de Melo Maciel, educador-articulador da formação, realizada de 9 a 13 de maio. Ao longo da semana, os participantes registraram conhecimentos da comunidade, construíram propostas culturais e discutiram caminhos para fortalecer iniciativas ligadas ao artesanato, à memória e às expressões artísticas Guarani Mbya. Um dos resultados desse processo foi a criação de um grupo de trabalho voltado à formalização da Associação Jekupe Amba, passo importante para ampliar a participação da aldeia em editais e programas de fomento à cultura.

Alter do Chão (PA): participação da comunidade surda deu novos contornos às experiências

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Realizada no campus da Ufopa em parceria com a Pró-Reitoria de Cultura, Comunidade e Extensão, entre os dias 11 e 17 de maio, a formação foi uma imersão marcada pela escuta, experimentação e encontro com os sentidos da cultura amazônica. Aproximou educomunicadores, estudantes e fazedores de cultura de Alter do Chão e comunidades próximas, com grande participação da comunidade surda, que deu novos contornos às experiências apresentadas. A proposta de “Educação dos Sentidos para fazer sentido” guiou atividades que atravessaram o tato, olfato, audição, paladar e visão, a partir de práticas como fotografia, pintura com elementos naturais, banho de cheiro, experiências com o tarubá e vivências com a cultura do carimbó, sempre em diálogo com a natureza e os saberes tradicionais da região. Como ressalta o educador-articulador Gabriel de Oliveira Prado: “Em algumas situações, o fazedor de cultura não percebe que já atua na cultura quando faz um tacacá, pinta um tecido ou prepara um banho de cheiro. Foi importante para todos compreender que a cultura está no cotidiano, nas práticas que aprendemos com os nossos avós e que podem ser compartilhadas com quem tiver interesse”.

Cariri cearense (CE): experiências e conhecimentos dos participantes conduziram as discussões

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A formação percorreu três comunidades, no período de 12 a 28 de maio: Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Alaíde Silva Santos, em Juazeiro do Norte; Comunidade Indígena do Poço Dantas, em Crato; e Escola Indígena Isú-Kariri, em Brejo Santo. Foram as experiências, os modos de fazer e os conhecimentos compartilhados pelos próprios participantes que conduziram as discussões sobre cultura, direitos e acesso às políticas públicas. A partir desse diálogo, muitas iniciativas que já faziam parte do cotidiano das comunidades passaram a ser reconhecidas também como projetos culturais com potencial para acessar políticas de fomento e fortalecer a atuação cultural nos territórios. “A formação não levou respostas prontas. O processo foi construído com as comunidades, respeitando seus tempos, seus saberes e suas formas de produzir cultura. Nosso papel foi mostrar que muitas iniciativas que já existem nesses territórios podem ganhar novos caminhos por meio das políticas públicas e da elaboração de projetos”, destaca João Dumont, educador-articulador da formação. 

Alagoa Grande (PB): novos caminhos para práticas culturais rotineiras

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“Quando percebemos que já fazíamos projetos no nosso dia a dia, tudo começou a fazer mais sentido para o grupo. A formação ajudou a aproximar a linguagem dos editais da realidade vivida pela comunidade”, reflete José Walter Silva, educador-articulador da trilha formativa realizada de 8 a 12 de junho, no Quilombo Caiana dos Crioulos, em parceria com o IFPB. Foram encontros marcados pela escuta, partilha de experiências e  valorização dos saberes da comunidade. Os participantes perceberam que diversos projetos que já eram desenvolvidos em suas práticas culturais poderiam ganhar novos caminhos por meio das políticas públicas de cultura e dos editais de fomento. Entre rodas de conversa, cirandas, cocos de roda e contações de histórias, os encontros reafirmaram a riqueza cultural de Caiana dos Crioulos e a importância de preservar e fortalecer nossas comunidades quilombolas. 

Unaí (MG): incentivo à formação de rede colaborativa de fazedores de cultura

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As atividades realizadas entre os dias 15 e 20 de junho aproximaram os participantes da história, da identidade e das expressões culturais do território, reunindo músicos, cantores, desenhista, capoeiristas, agentes culturais locais e estudantes da UFVJM em torno de reflexões sobre cultura, identidade, políticas públicas de fomento e elaboração de projetos culturais. As experiências incentivaram a formação de uma rede colaborativa de fazedores de cultura capaz de ampliar parcerias, compartilhar experiências e fortalecer a atuação coletiva no município. “As trocas permitiram conhecer uma diversidade de projetos voltados à valorização da cultura local, desenvolvidos sob perspectivas da economia criativa. A partir dessas experiências, os participantes puderam refletir sobre possíveis caminhos para sua própria atuação cultural”, destaca Samuel Rabay, educador-articulador da formação. 

Olhinhos D´Água

Na próxima etapa do projeto, os participantes das trilhas formativas “Educação dos Sentidos para fazer sentido” poderão concorrer ao Edital Olhinhos D'Água - Fomento a Ações Culturais, que selecionará, para serem executados, onze projetos culturais idealizados por agentes locais das diversas regiões que integram a rede Caminhos das Águas.

 

Por Coordenação-geral do projeto Caminhos das Águas 2026