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Pesquisa da UFVJM na revista Nature revela que impacto do clima em florestas tropicais varia conforme região

publicado: 25/08/2026 10h12, última modificação: 25/08/2026 14h48
Estudo com participação do professor Eric Gorgens analisou 16 milhões de medições por satélite e mostra que florestas da Amazônia, Congo e Sudeste Asiático respondem de maneira diferente à mudança climática

Prof. Eric e o coordenador da pesquisa, Matheus Nunes, em trabalho de campo no Parque Estadual Carlos Botelho (SP)

Uma pesquisa publicada na revista Nature, uma das mais prestigiadas do mundo científico, revela que os efeitos da mudança climática sobre as florestas tropicais não são uniformes; eles dependem do contexto evolutivo de cada região. O estudo, que conta com a participação do professor Eric Bastos Gorgens, do curso de Engenharia Florestal da UFVJM, analisou cerca de 16 milhões de medições feitas em 2020 pelo instrumento GEDI (Global Ecosystem Dynamics Investigation), da NASA, acoplado à Estação Espacial Internacional.

“O GEDI, que usa pulsos de laser para medir a estrutura tridimensional das florestas, tornou possível conectar as medições de biomassa com clima, solos e topografia em uma escala até então inédita. Com esses dados, conseguimos mostrar que não existe uma regra única; o efeito dos fatores ambientais na floresta depende do lugar e das características evolutivas locais”, explica o professor Eric Gorgens.

A pesquisa abrangeu florestas intactas na Amazônia, na Bacia do Congo e no Sudeste Asiático. Os cientistas descobriram que as associações climáticas com a biomassa florestal - medida que indica a quantidade de carbono armazenado - são heterogêneas e dependem do ambiente do local. Temperatura, aridez, secas e tempestades atuam de formas distintas em cada continente, o que ajuda a explicar resultados conflitantes de estudos anteriores.

Os resultados indicam que, em geral, locais com temperaturas mais altas tendem a ter menor biomassa, mas com diferenças marcantes entre as regiões. As florestas da Bacia do Congo mostraram-se particularmente sensíveis ao aquecimento, enquanto as amazônicas apresentaram sensibilidade moderada e as do Sudeste Asiático foram relativamente insensíveis à temperatura. Por outro lado, a limitação de água foi mais importante no Sudeste Asiático. 

Efeitos heterogêneos

O coordenador do estudo, Matheus Nunes, da Universidade de Maryland, reforça a mensagem: “Não basta ter análises globais que mostrem como o ambiente, incluindo o clima, afeta a estrutura da vegetação, pois esses efeitos são muito heterogêneos e dependem fortemente do contexto local. Portanto, precisamos de análises locais e de especialistas que conheçam bem a paisagem para fazer melhores previsões dos efeitos do clima nas florestas tropicais”.

A pesquisa também revelou que os efeitos de diferentes variáveis climáticas são modificados por características do solo e da paisagem. Nas florestas mais altas, onde as árvores ultrapassam 70 metros, tempestades, raios e quedas de árvores causadas por ventos podem ser os fatores mais importantes na redução da biomassa.

Helene Muller-Landau, pesquisadora do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais e coautora do estudo, destaca o significado mais amplo da descoberta: “O estudo mostra, definitivamente, que as florestas tropicais em diferentes continentes respondem de maneira diferente ao clima. Isso é consistente com a ideia de que os históricos climáticos e as trajetórias evolutivas muito distintas na África, Ásia e Américas têm legados duradouros na forma como a biomassa florestal varia com o clima”.

Implicações na conservação e manejo florestal

A pesquisa, que contou com a parceria da UFVJM, do Smithsonian Tropical Research Institute, da Universidade de Maryland e da NASA, tem implicações diretas para a conservação e o manejo florestal. Compreender quais florestas são mais vulneráveis ao calor, à seca ou às tempestades permite direcionar esforços de proteção e adaptação de forma mais eficiente.

“Esses resultados nos mostram que preservar as florestas é essencial, mas preservá-las sozinhas não garante que continuarão armazenando carbono igualmente bem. Algumas florestas são mais resilientes do que pensávamos, e outras são mais vulneráveis, mesmo que permaneçam intactas”, conclui Gorgens.

O artigo completo, intitulado “Heterogeneous climatic controls on tropical-forest biomass”, está disponível no site da revista Nature.

 

Por Diretoria de Comunicação Social